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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O desfecho

Pra finalizar...
O homem do canivete era seu Manoel, segue a ficha:
Manoel Almeida, aproximadamente cinquenta anos, casado há trinta e oito, nordestino, pai de um casal (que de acordo com ele são lindos), trabalhador rural.
Agora como eu o conheci...
Há uns dois anos atrás estava ajudando na papelaria, época de volta às aulas é uma loucura!
O que não é surpresa pra ninguém, é minha mania de falar e pegar amizade com as pessoas que atendo (muitas delas se tornaram íntimas, e hoje são realmente amigas) e foi chamando a senha vinte e quatro que este senhor caiu na minha rede!
Parece mentira, mas me lembro do número da senha. Assim que o chamei ele logo fez uma piadinha com um sotaque que vou tentar descrever : - Pelamor de Jésuis minina rali baxu ésse numro, qué que vaum pensa di mim? rs
Soltei um risadinha e me lembrei do meu pai (um dia explico), já imaginando o que viria na sequência.
Pra resumir o que já deveria ter sido um resumo, fiquei uns quarenta minutos atendendo e conversando com o Mané*, foi o tempo suficiente pra saber quase toda sua vida e me encantar com ela.
Ele havia me explicado que na cidade em que morava assim como em boa parte do nordeste, a terra era seca demais, por isso fazia três anos que não conseguia emprego já que ele trabalhava com plantações.
Muitos homens, pais de família, deixam suas cidades para trabalharem em safras no interior paulista, e foi assim que o Mané* veio parar aqui.
Durante a proza eu o ajudei a escolher os materiais que levaria pra seus filhos, uma menina de doze anos e outro de oito. Escolhemos e separamos os cadernos, lápis, estojos e tudo mais tinha direito, nada do mais caro pois ele não queria luxo (dizia exatamente assim) mas tudo muito bonito pra combinar com o jeitinho que imaginei que fossem os filhos.
Era fim de safra e os trabalhadores estavam esbanjando dinheiro no comércio, precisavam aproveitar, pois no dia seguinte todos embarcariam de volta pra casa.
Atender o Mané foi tão agradável, que ri praticamente os quarenta minutos com as piadas que me contava cada vez que dizia o preço de alguma coisa, e foi rindo que ele se dirigiu ao caixa, e rindo ele foi embora...
Rindo eu estava, até me dar conta de que ele havia deixado a mercadoria na papelaria, e é exatamente aí que começa a outra parte da história.
Corri atrás dele mas, assim que cheguei na praça, meu DEUS!!! Haviam tantos nordestinos lá que seria praticamente um milagre encontrá-lo (essa é a parte em que eu fico triste).
Voltei toda chateada pensando na decepção que ele teria quando fosse revirar suas sacolas (que não eram poucas) e desse conta do acontecido. Já pensou se não conseguisse voltar pra buscar os materiais dos seus filhos?
Cheguei em casa e contei pra minha mãe, logo depois me lembrei do meu tio que trabalhava na Usina e que talvez pudesse me ajudar.
Batata!
Consegui o contato do chefe dos cortadores, o cara que iria acompanhá-los na viagem de volta. Por sorte, ele conhecia o Sr. Manoel Almeida, e fez a gentileza de buscar as sacolas do Mané* e entregá-las em mãos.
Pra terem idéia da loucura que foi tudo isso, o ônibus deles iria sair às 12:00, o cara chegou na papelaria 11:30, nesse meio tempo eu já estava com o coração na mão.
Depois de alguns meses reencontrei o chefe deles (o salvador da pátria rs), ele me descreveu a felicidade do Mané ao saber do meu esforço em entregar suas coisas, feliz mesmo fiquei eu, em saber que tudo que escolhi e separei com tanto carinho chegaria nas mãos de seus donos.
Ah, já ía me esquecendo, assim que chamei a senha vinte e quatro, a primeira coisa que vi foi algo dando reflexo nos meus óculos, era ele, o canivetão cromado do Mané! E foi justamente por ele que o reconheci atravessando o sinal depois de dois anos.
Foi um prazer te conhecer companheiro.

M.C.N.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O vi e revivi ...

É incrível minha sorte no trânsito, incrível! Desvio de todos os carros pra chegar lá na frente e... e... dar de cara com o sinal vermelho, mereço?
Enfim, dessa última vez foi diferente, confesso que estava avançando mesmo com o sinal vermelho, até que fui forçada a parar pois um senhor estava atravessando a rua, nem queiram saber o que veio na minha cabeça naquele momento (ainda bem que minha mãe não lê pensamentos)!
Continuando...
O homem na rua me era familiar, vestia uma calça jeans manchada de barro, uma camiseta de algum candidato à prefeitura, tinha também um canivete cromado, muito bonito por sinal , preso como um celular do lado de fora do bolso da calça.
Perái , peraí ... já havia visto aquele canivete antes, mas onde mesmo?
O sinal abriu, fiquei com o canivete e a feição daquele homem gravado na mente.
Hoje conversando com o pessoal do escritório, me lembrei de um acontecido (como diria meu avô) e advinhem quem era o pesonagem da história?
Não, eu não! Era ele, o senhor do canivete.
Como a história é meio longuinha, acabo de contar em outro momento, afinal, alguém precisa trabalhar pra economia girar, e como eu sempre digo, esse alguém sou sempre eu!

M.C.N.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Diariamente ...



Para calar a boca: rícino
Pra lavar a roupa: omo
Para viagem longa: jato
Para difíceis contas: calculadora
Para o pneu na lona: jacaré
Para a pantalona: nesga
Para pular a onda: litoral
Para lápis ter ponta: apontador
Para o Pará e o Amazonas: látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: marzipã
Para Adidas, o Conga: nacional
Para o outono, a folha: exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol
Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois
Para fazer uma toca: bobs
Para beber uma coca: drops
Para ferver uma sopa: graus
Para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts
Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã
Para a cor roxa: ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser "mother": melancia
Para abrir a rosa: temporada
Para aumentar a vitrola: sábado
Para a cama de mola: hóspede
Para trancar bem a porta: cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: balde
Para a letra torta: pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: amnésia
Para estourar pipoca: barulho
Para quem se afoga: isopor
Para levar na escola: condução
Para os dias de folga: namorado
Para o automóvel que capota: guincho
Para fechar uma aposta: paraninfo
Para quem se comporta: brinde
Para a mulher que aborta: repouso
Para saber a resposta: vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagin
Para a comida das orcas: krill
Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você, o que você gosta:Diariamente.


M.C.N.

sábado, 3 de janeiro de 2009

New Year dialeto novo!



Só de pensar no que vou escrever nas próximas linhas já tenho vontade de rir! rsrs

Esperei o ano todo pelo dia 31 janeiro. Haviam três opções de lugares em que eu poderia passar a virada tão esperada :
1º Casa do Tio com a família.
2º Casa do amigo da minha amiga em Limeira , com mais um monte de gente que eu não conhecia (deu pra entender né?).
2º Avenida Paulista com minha irmã e alguns amigos. (Essa na verdade estava em 1º lugar pra mim, mas vamos continuar na ordem dos convites).
Se fosse você qual opção escolheria?
Não, eu não fui pra Paulista.
Limeira é um lugar digamos... bem... me fojem as palavras pra descrever a cidade que me acolheu no ano novo.
Enfim, me camuflei no meio daquela galera diferente que nunca havia visto na vida.
Assim que cheguei na casa do "amigo da minha amiga"(que depois também se tornou meu amigo) dei uma olhada 360º (com ajuda do óculos, é claro!) e pensei : -Meu Deus, se minha mãe me visse aqui acho que me pegaria pelos cabelos. Rapidamente dei uma ajeitada no cabelo como quem não quer nada e continuei o que estava fazendo .
Foi uma noite bastante interessante, com pessoas ainda mais interessantes, todas demasiadamente diferentes de mim, exatamente por isso adorei tudo aquilo.
Ah, já ía me esquecendo... falando em adorar, uma coisa de fato me chamou atenção, aquilo sim eu adorei, o dialeto particular daquele pessoal.
Sério, não sei de onde conseguiram tirar tanta asneira, e o pior, encontrar uma rima pra ela e ainda formar uma frase que me encantasse, os "caras" são bons mesmo!

Segue aqui um antigo registro ultra-secreto do dialéto dessa tribo, que talvez tenha que apagar caso um deles descubra, leiam enquanto é tempo!
*
Suave na nave
De boa na lagoa (canoa)
Tranquilo no quilo (como um grilo, no asilo, no mamilo)
As pampa na rampa
Firmão no galpão (busao, macarrao corrimao)
De leve na neve
Irado no gado
Na moral no matagal
Legal no bananal
Suavão no camburão
Seguro no muro
Firmose na apoteose
Sem drama na cama
Firmeza na represa
Sossegado no mercado
Td certo no deserto
Relax no durex
Joia na Jibóia
Realiza na briza
Sussa na montanha russa
Relaxa na bolaxa (ou graxa)
Se pá no maracujá
Joinha na prainha
Se orienta na polenta
Light na night
Tudo em cima na piscina
Bem no armazém
Manero no putero
Demoreba na budega
De boresta na palestra
A brisa no para-brisa
Nice on the ice
Conosco não há enrrosco
Comigo não tem perigo
Ossário no armário
É quente no dente
Parado no alambrado
Relaxado no maxado
Se toca na tapioca
No Grau do Bacalhau
Avonts no bronx
De Bobeira na Ladeira
Stayle no Baile
Triste no alpiste

PS: A primeira frase que disse à minha mãe assim que ela abriu a porta pra mim quando voltei de Limeira foi: - E aí mãe, suave na nave? rsrs

M.C.N.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Adeus trezentos e sessenta e cinco velhos dias.


Não seria legal esperar anciosa 2009 sem antes analizar de forma justa o ano que termina hoje, afinal, foram "trezentos e sessenta e cinco" dias vividos e escritos em extenso pra realmente parecer grande!

Quanta coisa cabe dentro de um ano? Muita coisa eu digo, muita mesmo!

Em 2008 perdi alguns conhecidos e ganhei muitos amigos!

Visitei colegas antigos, lugares diferentes, me desfiz de velhas coisas e adquiri um fardo de novas, não só materiais como experiências nas quais tive que usar conselhos antigos da minha vó, como:

*Paciência, pra aceitar que as coisas nem sempre acontecem no tempo em que gostaria que acontecesse.

*Amizade,a sincera eu digo, pois esta não se abala mesmo quando sua amiga começa a namorar e você já não é a primeira da lista, é compreensível.

*Tranquilidade, pra resolver as coisas sem enlouquecer nem precisar morrer de remorço depois.

*Amor próprio, mais ainda, porque eu tenho meu valor e ninguém tira isso de mim, ninguém né vó?

Fui a personagem principal dessa história que terá seu fim hoje.

Gostei dos diálogos, da trama no decorrer dos dias, dos conflitos nos quais me meti, das aventuras e obstáculos que tive que enfrentar, da comédia que foi rir lembrando de tudo isso. Gostei de conhecer os coadjuvantes, os personagens secundários, de botar a mão na massa e de relaxar até quando não era preciso. Enfim... foi bom!

"Ninguém tem só defeito e nem só qualidade". Pensei muito nisso nesses últimos meses.

Resumo minha história desse ano, ressaltando os momentos e emoções maravilhosas que vivi e as pessoas incomparáveis que passaram pela minha vida, obrigada, sou realmente grata por tudo que me aconteceu nesses "trezentos e sessenta e cinco" longos e ao mesmo tempo curtos dias.


M.C.N.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Já vai tarde...


Deixe de moleza Marielen, pelo menos seis em cada dez dias você reclamou de preguiça, quantos anos você tem mesmo?
Olhe pro seu avô, com mais de setenta anos ainda anda de bicicleta e faz exercícios, e você? Onde está sua disposição? Onde está sua juventude? Deixou o sedentarismo te dominar não foi?
Ânimo, vamos, levante sua bunda dessa cadeira!!!
Vá dar uma volta com a Lilica, com certeza se ela fosse gente estaria rindo de você agora, isso não te incomoda nem um pouco?
Ora, pois a mim sua consciência, incomoda, e muito por sinal.
O ano está dando as costas e se despedindo de você, o que tem a dizer à ele?

- Já vai tarde, demorou! Onde está meu próximo companheiro, o tal de "2009" pra eu dar as boas vindas? rsrs

- Valeu pela tentativa D. Consciência!

M.C.N.